quarta-feira, 7 de março de 2012

INTIMIDADE


Algumas pessoas se destacam para nós. Não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e tantas vezes atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. O sentimento que nos move para ajudá-las a despertar um único sorriso.


Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.


Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor. 

O centésimo macaco


Há uma história que
que eu gostaria de lhe contar.
Sua mensagem
pode conter
a sua única esperança
de um futuro
para a nossa espécie!
É a história
do centésimo macaco:
O macaco japonês
Macaca fuscata
vem sendo observado
há mais de trinta anos
em estado natural.
Em 1952,
os cientistas jogaram
batatas-doces cruas
nas praias da ilha de Kochima
para os macacos.
Eles apreciaram o sabor
das batatas-doces,
mas acharam desagradável
o da areia.

Uma fêmea de um ano e meio,
chamada Imo,
descobriu que lavar as batatas
num rio próximo
resolvia o problema.
E ensinou o truque
à sua mãe.
Seus companheiros
também aprenderam a novidade
e a ensinaram às respectivas mães.
Aos olhos dos cientistas,
essa inovação cultural
foi gradualmente assimilada
por vários macacos.
Entre 1952 e 1958,
todos os macacos jovens
aprenderam a lavar
a areia das batatas-doces
para torná-las mais gostosas.
Só os adultos
que imitaram os filhos
aprenderam esse avanço social.
Outros adultos
continuaram comendo
batata-doce com areia.
Foi então que aconteceu uma coisa surpreendente.
No outono de 1958,
na ilha de Kochima,
alguns macacos – não se sabe ao certo quantos –
lavavam suas batatas-doces.
Vamos supor
que, um dia, ao nascer do sol,
noventa e nove macacos
da ilha de Kochima
já tivessem aprendido
a lavar as batatas-doces.
Vamos continuar supondo
que, ainda nessa manhã,
um centésimo macaco
também tivesse feito uso dessa prática.
ENTÃO ACONTECEU!
Nessa tarde,
quase todo o bando
já lavava as batatas-doces
antes de comer.
O acréscimo da energia
desse centésimo macaco
rompeu, de alguma forma,
uma barreira ideológica!
Mas veja só:
Os cientistas observaram
uma coisa deveras surpreendente:
o hábito de lavar
as batatas-doces
havia atravessado o mar.
Bandos de macacos
de outras ilhas,
além dos grupos
do continente, em Takasakiyama,
também começaram
a lavar suas batatas-doces!
Assim, quando um certo número crítico
atinge a consciência,
essa nova consciência
pode ser comunicada
de uma mente a outra.
O número exato pode variar,
Mas o Fenômeno do Centésimo Macaco
significa que, quando
só um número limitado de pessoas
conhece um caminho novo,
ele permanece
como patrimônio da consciência
dessas pessoas.
Mas há um ponto em que,
se mais uma pessoa
se sintoniza com a nova percepção,
o campo se alarga,
de modo que essa percepção
é captada por quase todos!
Extraído do Livro: “O Centésimo Macaco – O Despertar da Consciência Ecológica”
Autor: Ken Keyes, Jr
Editora Pensamento